Júlio Henrique Raffard (fundador)

Júlio Henrique Raffard (fundador)

Origem


   Era um sertão, um grande sertão paulista onde se via de Piracicaba, em densas florestas, muitos pássaros, muitos bichos, rios, córregos, lagoas, planícies e elevações de terra.
   Há 40 quilômetros da cidade banhada por um grande rio premiado pela natureza com uma majestosa queda d'água conhecida por Salto de Piracicaba, na Língua Tupipara-Guarani "lugar onde o peixe ajunta, passa chega e sofre" (Piracicaba, Presente e Passado - Adilson B. Maluf 1983-1988).
    Em seus arredores crescia um povoado que chamavam de Piracicaba, decerto em virtude do rio que tinha (tem) esse nome.
   Luís Antônio de Souza Botelho Mourão, Morgado de Mateus, que fundou "a povoação de Piracicaba em 1767 (Retrato das Tradições Piracicabanas - Hugo Pedro Carradore), mandou para Piracicaba, Antônio Corrêa Barbosa, que chegou com a família e um bando de administrados, vadios e vagabundo para oficiar-lhe a fundação. Daí em diante começam a congregar em torno do Salto de Piracicaba sertanejos, posseiros e possuidores de cartas de sesmarias" (Memórias dos 20 anos - Elias Salum).
   Tão logo foi fundada, a lei provincial de 24 de abril de 1856 eleva a então vila à categoria de cidade com o nome de Constituição, nome que permaneceu até 19 de abril de 1877, "quando a lei nº21 da assembléia provincial alterou o nome para o primitivo Piracicaba" (Idem Elias Salum).
   Em um artigo de J. S. Mello inserto em "Memórias dos 20 anos", entre outras coisas, diz que "o Capitão Francisco Franco da Rocha conseguiu atrair para Piracicaba muita gente boa" e, sem dúvida, cidadãos ilustres que vieram contribuir para o progresso da "Noiva da Colina", hoje uma das mais lindas cidades do interior paulista.
   Isso dito como preâmbulo destes esboços, de Piracicaba, entremeando florestas por caminhos de difícil travessia, cujos lados eram fechados de árvores, vou, num caminhar imaginário de quilômetros - 80 aproximadamente - até a cidade que já existia chamada Itu "a 18 de abril de 1879, se realizava a primeira reunião dos republicanos paulistas, conhecida por Convenção de Itu", que teve por objetivo mudar o sistema de governo de Monarquia para República.
   Ao lado de Itu, com esse município fazendo limite, crescia outro povoado a algumas centenas de metros acima do rio Tietê, que tinha (tem) um lugar muito bonito, hoje ponto turístico onde as embarcações fundeavam e de lá partiam com o nome de "Monções" (ventos favoráveis) para as grandes viagens fluviais à cata do ouro em Cuiabá. Primeiro nome: Porto de Araritaguaba. Porto Feliz hoje o nome município paulista.
   O lugar, cujo nome ainda não foi mencionado, era uma povoação ainda em gatinhas, mas com perspectiva de rápido desenvolvimento e por ele prosseguia, também por florestas, um caminho que ligava Piracicaba e Itu e este Cuiabá. Também, segundo a história, fundada por bandidos, o que provou ao contrário o historiador Vinício Stein Campos, de saudosa memória, em um dos seus trabalhos sobre história.
   Diz ele que um dos primeiros, senão o primeiro fundador desse povoado foi o padre João Ferreira de Oliveira Bueno, proprietário, na época, de uma fazenda onde construiu uma capela que conserva até hoje o mesmo aspecto.
Nesse lugar, em sua parte baixa, forrado de árvores, passava (passa) um rio. Porque viviam em suas margens rebanhos de capivaras (ainda vivem em menor quantidade) a ser chamado de Capivari – Roger Desmonts.
   Capivari, conta o prof. Vinício, teve começo na fazenda do padre Ferreira, chamada de Itapeva. Não passou de fazenda, pois na mesma época prosperava, a alguns quilômetros distantes dela um povoado existentes nas imediações de uma venda freqüentada por gente até de longe.
   Tal era o progresso desse povoado, que não tardou se elevasse à “Freguesia em 11 de outubro de 1826 e a município pelo Decreto de 10 de julho de 1832. Era (Capivari) integrado ao município de Porto Feliz.
   Às adjacências outros povoados surgiram, que mais tarde foram seus distritos. Dois. Um , há 18 quilômetros mais ou menos. Porque em sua área viviam chusmas de vespinhas – as mumbucas -, deram-lhe o nome de Mumbuca. Tempos depois teve o U trocado por O, conhecido hoje como Mombuca. O outro, há 3 quilômetros aproximadamente do centro de Capivari. Eis como surgiu, como se tornou vila, distrito e município:
   Em 1875, o Barão de Mauá, Irineu Evangelista de Souza, (*) “um dos mais importantes homens do império, efetuava longa estadia em Paris e lá conheceu em uma oficina de construções metálicas um engenheiro mauriciano de descendência francesa, André Patureau, que se empregava em renovar a indústria açucareira da antiga "Ilha de France", instalando usinas centrais dotadas de materiais modernos". Da conversa mantida, surgiu a idéia de se construir no Brasil um Engenho Central, ou seja: Uma usina de açúcar. "Colocado a par dessa modernização de material e dos métodos pelo Barão de Mauá, o Imperador D. Pedro II convidou incontinenti André Patureau para organizar a indústria açucareira paulista em primeiro lugar para servir de exemplo ao país."
   Vindo a São Paulo em 1879, André Patureau “percorreu todas as zonas dos engenhos das províncias com o fim de distinguir quais se prestavam à centralização da produção”. Entre outras, sua escolha recaiu nas regiões de Capivari e Lorena.
   Conhecidas as licenças para a “exploração das futuras centrais” coube a construção do engenho de Lorena ao Conde de Moreira Lima e a de Capivari a Júlio Henrique Raffard, “filho do Cônsul da Suiça no Rio de Janeiro” naquele Estado nascido a 26 de dezembro de 1851”, que teve aprovada a nova concessão (a 3ª), pelo Decreto nº8.123 de maio de 1881.
   Percorrida então a área capivariana, Patureau achou excelente um lugar centenas de metros acima do rio Capivari, na fazenda Boa Vista, na época de propriedade de Dª Escolástica Maria de Almeida Campos & filhos.
   Era o ano de 1883. O engenheiro Henrique Raffard inicia nesse ano a construção da indústria, a qual, já em 1884 realiza a primeira safra com cana de terceiros, indústria que em dias do futuro seria uma grande usina de açúcar e álcool, uma potência no gênero e foi, sem dúvida nenhuma, o impulso do povoado que já no começo do século XX era conhecido por Vila do Henrique Raffard, em 1929 foi elevado à categoria de Distrito pela lei nº308, de 22 de novembro com o nome oficializado de Raffard (Vida Social e Política de Rafard – Pedro Silveira Rocha).,
   Em 1945, 05 de dezembro, o decreto nº8.286, que cuidou da reforma ortográfica e acentuação do pátrio idioma, eliminou um F de Raffard (Rafard hoje).
   Capivari, conforme referido, teve dois distritos – Rafard e Mombuca – ambos hoje municípios criados pela lei nº8.092, de 28 de fevereiro de 1964, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

(*) - Dados extraídos do livro: "Vida Social e Política de Rafard"



Referência Bibliográfica:
Livro - Rafard Cidade Coração
Autor - Pedro Silveira Rocha