Júlio Henrique Raffard (fundador)

Júlio Henrique Raffard (fundador)

Recursos

ÁGUA E ESGOTO

   Quanto à rede de água e esgoto, esse melhoramento só foi introduzido no distrito em 1958 pelo Prefeito Miguel Simão Neto, quando o seu povo se empenhava para emancipá-lo.
   Com a extinção das fossas céticas e com o jorrar abundante de água pelas torneiras, o problema de saúde da gente local, que até então demandava maiores cuidados, solucionou-se sensivelmente. Hoje a cidade conta com Departamento de Água, fornecendo o precioso líquido à população e às indústrias, quatro poços semi-artesianos havia inicialmente, hoje a cidade possui seis poços.
   Na inauguração da referida rede, em 1958, contou Rafard com a presença honrosa do Secretário de Obras Públicas, Dr. Faria Lima.
   O povo, em número não muito grande, ficou a distância. Não queria prestigiar o Sr. Miguel Simão Neto que, foi um dos mais ardosos oposicionistas às pretensões emancipacionistas de Rafard.
   Um fato, que nos parece importante figurar nesta história, pelo descontentamento causado à população naquele ano, é o seguinte:
   A instalação das redes de água e esgoto, em Rafard, como dissemos, obra de Simão Neto, não obstante muito útil, muito necessária e ter contribuído sobremaneira para o conforto e saúde da gente local, despertou iras e acirrosos comentários.
   Taxas assaz elevada foram à causa. Usou o prefeito dois pesos e duas medidas com respeito a essas taxas. Havia prometido não cobrar em Rafard taxas diferentes das de Capivari. E essa promessa fez também através de um boletim vindo a público a 18 de agosto de 1958, com o objetivo “de acabar com a onda criada e alimentada por elementos interessados em diminuir o brilho inconteste da atual administração” e distribuído em propaganda à eleição do Sr. Carlos Alberto de Carvalho Pinto ao Governo de São Paulo, no qual dizia, que a Prefeitura “não pretende aumentar a taxa de água em vigor, que é de Cr$40,80”.
   Concernente às taxas de água e esgoto de Rafard, dizia no mesmo boletim: “Não pretende, igualmente, em Rafard, cobrar taxas diferentes das de Capivari, pois sempre tratou e considerou os distritos no pé de igualdade da sede”.
   Mas isso não aconteceu. Como veremos, o Sr. Miguel Simão Neto não cumpriu o prometido.
   O Código Tributário do Município de Capivari, promulgado pela Lei nº386/56, artigo 126, da Secção II – Taxas de água, reza:
   “As taxas de água, devidas pelo consumo ou serviços relativos à rede de fornecimento de água, serão cobradas de acordo com a Tabela anexa nº8”, isto é, de acordo com o tipo d edificação e não iam elas além dos Cr$100,00 (cem cruzeiros) para a melhor edificação - Tipo F.
   Tão logo se instalou aqui a rede de água (em novembro de 1959), a taxa - só para Rafard – elevava-se a Cr$2204,00 (duzentos e quatro cruzeiros). Somente depois de muita luta, foi reduzida para Cr$160,00 (cento e sessenta cruzeiros), mas, acrescida de taxa de fundo municipal de assistência social e quota previdência, resultava um total de Cr$188, 80. Diferença grande da cobrada em Capivari.
   A taxa de esgoto era de Cr$200,00 (duzentos cruzeiros) mensais, considerada um absurdo pelos habitantes locais. Bastante desigual da de Capivari, como também veremos.
   No artigo 130 da Seção III, do Código Tributário, lê-se: “A taxa de esgoto domiciliar será de 10% (dez por cento) sobre o valor do imposto predial e será arrecadada juntamente com esse tributo (em Rafard, até 1962, a arrecadação era separada da do imposto predial), sendo a taxa mínima de Cr$50,00 (cinqüenta cruzeiros).”
   Diferença também enorme e em vão foram as queixas e as lamúrias dos rafardenses. Procurou o prefeito justificar-se, dizendo que a elevação dessas taxas era motivada pelos contratos mantidos com a Caixa Econômica do Estado, de quem a Prefeitura levantara empréstimo de Cr$14.400,00 (quatorze mil e quatrocentos cruzeiros) para execução dessas obras.
   Nunca jamais conseguiu convencer os rafardenses que viam injustiça, desigualdade em seus atos e que os aceitavam, sem resignação, confiando na justiça do Alto, isto é, em que esse e outros problemas locais teriam solução com o desmembramento que deveria se dar um dia.

LUZ ELÉTRICA

   Os primeiros postes para a iluminação pública em Villa Raffard foram implantados por concessionária - Empresa São João de Luz e Força.
   Cinco ruas tinha o povoado entre 1910 e 1930: dentre elas a Maurício Allain, Conselheiro Gavião Peixoto, hoje José Morais Barros, da igreja matriz conhecida hoje como Dr. Soares Hungria e do Ruzza como era chamada, hoje Marechal Deodoro da Fonseca.
   A rua Maurício Allain foi a primeira a receber iluminação, bem como guia e sarjeta. Outras ruas, abertas após, foram, palautinamente, recebendo-a. A luz, entretanto era precária. Aos temporais, ou um vento forte precedendo ou prenunciando chuva e eis o distrito, ou melhor, e eis a Capivari às escuras.
   Em 31 de julho de 1958 passou a fornecer-lhe energia, resolvendo de vez o problema, a Cia. Paulista de Força e Luz. Acionou, no ensejo da inauguração, a chave da nova concessionária o prefeito Miguel Simão Neto. A Cia. Paulista, hoje, pertence ao Governo do Estado.
   Desde 1965 as ruas recém-abertas têm logo recebido energia, graças ao esforço das administrações rafardenses, junto à Paulista, a que a cidade continue tendo seu ritmo de progresso acelerado.
   Os postes de madeira foram totalmente substituídos e a cidade passou a ser iluminada com lâmpadas de mercúrio “gás neon”, ´primeiro na Comarca a receber esse benefício.
   A energia elétrica hoje é abundante em toda a área urbana rafardense e várias fazendas do município contam com esse melhoramento.



Referência Bibliográfica:
Livro - Vida Social e Política de Rafard
Autor - Pedro Silveira Rocha